quinta-feira, novembro 18, 2004

Cultos:.# 2

Joy Division



Os Joy Division são ainda, uma das mais importantes bandas de rock da história e alvo de um grande culto em todo o mundo. A banda surge em Manchester, Inglaterra, no ano de 1977, fruto do movimento pós-punk e "anarquicamente" influenciada pelos Sex Pistols.

Manchester era a cidade Inglesa onde tudo se passava, espaços criativos e culturais para uma geração tipicamente urbana e depressiva. Ian Curtis, o genial vocalista dos Joy Division, morre no auge da sua carreira, o lirismo e a angústia de suas grandes canções transforma-se no grande mártir dos anos 80.

O nome, Joy Division, deve-se a um livro sobre o sadomasoquismo praticado nos campos de concentração alemães, The House Of Dolls, onde se retrata as chamadas “ divisões de alegria” que mais não eram que espaços reservados para prostitutas e outras mulheres onde os oficiais se divertiam. Nasce assim o nome da banda, Joy Division. Uma grande actuação num espectáculo chamou atenção de Rob Gretton (que viria a ser seu futuro empresário) e Tony Wilson, o primeiro era um DJ local e o segundo um jornalista da TV Granada e dono da gravadora independente Factory.
Fruto deste espectáculo os Joy Division acabam por assinar pela Factory que inclui duas músicas da banda ("Digital" e "Glass") num EP duplo, A Factory Sample, juntamente com outras bandas da altura, como os Duruti Column e os Cabaret Voltaire. Este torna-se no primeiro registo, digno desse nome, dos Joy Division.

A pessoa responsável pelo distinto som do Joy Division é, sem dúvida, Martin Hannet, produtor da banda no seu primeiro álbum, Unknown Pleasures. O álbum foi lançado em Junho de 1979, e logo foi aclamado pelos críticos ingleses e teve uma grande aceitação junto do público. O disco era realmente maravilhoso: "Shadowplay", "Disorder", "She´s Lost Control", clássico atrás de clássico.

O que marcava as pessoas era a depressão típica e urbana das letras, canções que anunciavam a morte. A popularidade da banda aumenta ainda mais com o lançamento do single "Transmission". Ao vivo, Ian Curtis tornava-se o espectáculo em si, dançando freneticamente e simulando espasmos convulsivos. Na verdade, a estranha dança era uma alusão à epilepsia, doença que Ian Curtis travava uma batalha incessável. Muitas vezes mal se podia saber se eram convulsões verdadeiras ou se faziam parte do espectáculo. Este primeiro álbum tornou os Joy Division conhecidos e, em 1980, já se esperava um novo álbum da banda. A banda vai para o Brittania Row Studios, de propriedade dos Pink Floyd, onde gravaram, no mesmo esquema do anterior, com produção de Martin Hannet, o Closer, uma obra-prima do começo ao fim. Um dos melhores discos dos anos 80, de todos os tempos, que inclui: "Isolation", “Heart And Soul"e "Decades" entre outros temas. Foi lançado no mesmo ano, ainda, o single de "Love Will Tear Us Apart" que se tornou o maior sucesso da banda.

Porém, a 18 de Maio de 1980, Ian Curtis suicida-se sem chegar a ver o seu legado musical no mercado. Com a sua morte, Curtis deu nome a toda uma geração, fez das suas palavras cantadas os seu actos trágicos.

A banda não voltou a gravar com o mesmo nome, contudo foram ainda editados: Still, uma colectânea dupla, em 1981, que contém musicas não editadas do primeiro álbum; Substance, em 1988, com canções inéditas como "Komakino" e "Incubation"; e Permanet, em 1995, que reúne o essencial da banda, um verdadeiro best of dos Joy Division. Em 1997, sai Heart And Soul, uma caixa com versões diferentes dos clássicos e muita coisa ao vivo. Existe ainda um álbum ao vivo, Preston 28 February 1980, lançado em 1999.

Quem se interessar por esta banda e por este tema poderá consultar ainda o filme documental/ficcional “24 hour party people”, filme que tenciona retratar a entropia musical e social que se viveu em Manchester, Inglaterra.


Joy Division


Formação:
Manchester, Inglaterra em 1977

Ian Curtis - voz
Bernard Sumner - guitarra
Peter Hook - baixo
Stephen Morris - bateria

http://www.dyingdays.net/Joy_Division/